Por que uma
Segunda Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos ?
(Extracto do Instrumentum
Laboris, testo preparatorio dell’Assemblea)
Há 12 anos, de 10 de Abril a 8 de Maio de 1994, celebrava-se a Primeira Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos com o tema: «A Igreja em África e a sua missão evangelizadora rumo ao ano 2000: ‘Vós sereis minhas testemunhas’ (Act 1, 8)». Os resultados do conjunto do processo sinodal, desde a preparação à celebração da Assembleia: orações, trocas de informação, partilha de alegrias e sofrimentos relativas às situações eclesiais, culturais, sociais e políticas, reflexões aprofundadas sobre cada um dos temas - tudo num clima de serena comunhão hierárquica, própria dos membros do Corpo episcopal que tem por Cabeça o Bispo de Roma, Presidente do Sínodo e Pastor universal da Igreja -, foram recolhidos na Exortação Apostólica pós-sinodal «Ecclesia in Africa». Publicada a 14 de Setembro de 1995, a Exortação orientaria a actividade pastoral da Igreja Católica em África durante a última década.
Acolhendo favoravelmente o desejo de numerosos bispos, sacerdotes, pessoas consagradas e fiéis leigos, o Papa João Paulo II manifestou a 13 de Novembro de 2004 a sua intenção de convocar uma Segunda Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos. O Santo Padre Bento XVI confirmou o projecto do seu predecessor, comunicando a 22 de Junho de 2005, na presença do Conselho Especial para a África da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, a sua decisão de convocar em Roma a Segunda Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos.
Em colaboração com o sobredito Conselho, Sua Santidade estabeleceu o tema da Reunião sinodal: «A Igreja em África ao serviço da reconciliação, da justiça e da paz: ‘Vós sois o sal da terra …Vós sois a luz do mundo’ (Mt 5, 13.14)». O tema coloca-se na continuidade da Primeira Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos e prevê uma avaliação dos resultados alcançados a todos os níveis em benefício evidentemente da dimensão eclesial. Depois da última Reunião sinodal, porém, a situação mudou muito. Esta nova realidade requer um profundo exame em ordem a um renovado esforço de evangelização, exigindo que se aprofundem alguns temas específicos, importantes para o presente e futuro da Igreja Católica no vasto Continente Africano.
Graças a Deus, nestes últimos anos, a Igreja Católica, Família de Deus que caminha em África, teve uma nova expansão em todo o Continente. Crescem também bastante as vocações missionárias africanas que prestam um serviço pastoral a outras Igrejas particulares em África ou noutros Continentes. As actividades de educação e de assistência da Igreja foram determinantes em numerosos países, abrangidos por diversas situações de emergência. O Evangelho é o verdadeiro sal da terra, garantia de uma evangelização em profundidade, capaz de resistir a toda a adversidade. A Boa Nova, acompanhada do límpido testemunho do seu serviço eclesial, torna-se luz do mundo, a brilhar nas trevas que, por vezes, se concentram e se adensam sobre grande parte do Continente Africano.
Em união de coração e de espírito com o Santo Padre, os Padres sinodais deveriam enfrentar com as armas da luz (cf. Rom 13, 12) e com uma caridade cristã, consolidada e animada pela esperança dos discípulos do Senhor Jesus Ressuscitado, a actual situação complexa e nem sempre favorável da África. Para além dos obstáculos à evangelização, que podem derivar de razões políticas, religiosas ou sociais, existem graves problemas que interpelam os cristãos e todos os homens de boa vontade. São situações de pobreza, injustiça, doença, exploração, falta de diálogo, divisão, intolerância, violência, terrorismo, e guerra. A Igreja, fiel ao mandato de Jesus Cristo, não abdique de anunciar a Boa Nova para poder oferecer, com o seu capilar serviço pastoral, a perspectiva da reconciliação eclesial e social de Cristo, nossa paz e fonte de verdadeira justiça para o inteiro Continente Africano. A evangelização, tarefa principal do mandato recebido do Divino Mestre (cf. Mt 28, 19), não pode separar-se do empenho dos homens de Igreja de se tornarem samaritanos de tantos irmãos e irmãs, que pedem a sua ajuda e compaixão (cf. Lc 10, 29-37), e de prestarem assistência a tantos pobres e necessitados de calor humano, para dar testemunho do amor de Deus (cf. Mt 25, 31-46). Com o anúncio do Evangelho, com a educação a todos os níveis e as instituições de caridade, a Igreja torna-se cada vez mais activa também na promoção do diálogo, da paz e da justiça na renovada sociedade africana, que com dinamismo avança para o desenvolvimento integral do homem africano, adquirindo assim o digno lugar que lhe pertence no seio da comunidade internacional.
A Segunda Assembleia Especial para África do Sínodo dos Bispos terá lugar em Vaticano de 4 a 25 de Outubro de 2009.